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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Tempos de Colegial Capítulo 83

Laços que Resistem ao Tempo 

Os dias seguintes foram preenchidos com os preparativos do casamento, mas minha mente estava longe de tranquila. A sensação de que algo estava para acontecer crescia a cada instante. Eu tentava me distrair escolhendo flores e ajustando a lista de convidados, mas a ausência de Sami pesava no meu coração mais do que nunca. Sua ausência nas conversas, nos momentos de decisão e na vida em geral era um vazio impossível de preencher.

Em uma noite particularmente difícil, peguei o antigo diário dela. Eu costumava me sentir mais próxima de Sami quando lia suas palavras. Ela tinha uma forma única de enxergar o mundo, sempre tão cheia de sabedoria e compaixão. Conforme folheava as páginas, encontrei um trecho que parecia escrito para mim naquele momento:

"Nunca deixe que ninguém desfaça seus sonhos. O que você constrói com amor é mais forte que qualquer tempestade. Confie no seu coração, mesmo quando a estrada parecer incerta."

Eu fechei o diário e olhei para o anel de noivado em minha mão. Sami sempre apoiou o meu amor por Kássio. Mesmo depois de sua partida, suas palavras continuavam sendo minha fonte de força.

Mas não conseguia evitar a inquietação. Algo estava errado, e eu sabia que precisava tomar alguma atitude. O senhor Antônio não era uma ameaça qualquer. Ele parecia disposto a tudo para desestabilizar nossa união. Kássio me assegurava que tudo ficaria bem, mas eu não podia ignorar o pressentimento que se intensificava.

Quando estava guardando o diário da minha querida irmã, recebi uma ligação. Meu coração disparou quando vi o número. Era Danile.

— Emi? — A voz da minha amiga estava hesitante. — Precisamos conversar.


Fiquei confusa. Dani estava há alguns fora do país, viajando em lua de mel . Não era do feitio dela ligar do nada.

— Claro, Dani. O que aconteceu? — perguntei, tentando manter a calma.

— É sobre o senhor Antônio. — A menção dele fez meu corpo congelar. — Eu recebi algumas informações... coisas que você precisa saber antes do casamento.

Eu sentei no sofá, meu coração batendo forte: — Dani, do que você está falando?

Ela hesitou antes de responder: — Não posso dizer tudo por telefone. Mas é sério, Emi. Preciso que você tome cuidado. Ele... ele não vai desistir de interferir na sua vida.


Depois daquela ligação, os sentimentos de angústia se transformaram em uma verdadeira tempestade dentro de mim. Eu precisava saber o que Dani havia descoberto. E, mais do que isso, precisava proteger meu futuro ao lado de Kássio.


No entanto, uma coisa era certa: algo estava para acontecer. E eu teria que estar pronta.

Na manhã seguinte, decidi conversar com Kássio. Era hora de compartilhar minhas preocupações, mesmo que ele achasse que eram apenas nervosismo pré-casamento. Sentia que apenas juntos poderíamos enfrentar o que estava por vir. Com as lembranças de Sami me guiando, estava determinada a proteger o que havíamos construído.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Tempos de Colegial Capítulo 82

Laços de amor e desafios 


— Sério?! — Kássio começou, seu tom misturando incredulidade e frustração. — É sério que você vai fingir que não sabe do que eu estou falando?  
— Eu sei, Kássio. Eu sei que o que eu fiz não foi certo — admiti, sem conseguir encará-lo diretamente. — Sei que não devo satisfações ao seu pai, mas eu cansei. Cansei de vê-lo se meter na nossa vida, de vê-lo te incomodar, e você não fazer nada. E, acima de tudo, eu cansei de ser um problema na sua vida.  

Kássio balançou a cabeça, os olhos presos nos meus: — Emi, você não é o problema. Meu pai é. Eu sei que você só queria consertar as coisas, mas você não precisa enfrentar os meus problemas por mim. Eu sei como lidar com ele. Você não precisa se preocupar comigo.  

— Mas eu me preocupo, Kássio! — rebati, a voz embargada. — Eu não aguento essa situação. Você sabe que eu não consigo presenciar tudo isso e ficar de braços cruzados. Eu quero te ajudar.  

Ele segurou minhas mãos com firmeza, mas o tom dele era claro: — Eu sei que você quer ajudar e te agradeço por isso, de verdade. Mas não quero que você se envolva com o meu pai.  

Meu peito apertou, e com hesitação perguntei: — Por quê?  

Ele desviou o olhar, como se as palavras pesassem ainda mais que o silêncio: — Porque ele é manipulador. Ele sabe como virar a cabeça das pessoas. Por favor, Emi, fique longe dele.  

Respirei fundo, tentando controlar as lágrimas: — Tudo bem. Se é isso que você quer.  
— Não é sobre o que eu quero — Kássio corrigiu, sua voz quase um sussurro. — É sobre o que tem que ser.  

Assenti, com um nó na garganta: — Tudo bem, eu entendo.  

Mas entender não tornava as coisas mais fáceis. Ele saiu sem dizer mais nada, deixando uma trilha de silêncio pesado atrás de si. Minha mãe, que estivera observando tudo, permaneceu na sala. E pela expressão dela, sabia que estava prestes a ouvir o que ela pensava.  

— Pode mandar a bronca, mãe — murmurei, já esperando o sermão.  

Sara cruzou os braços, o rosto sério: — Você acha que não merece? Eu só queria saber o que passa na sua cabeça, Emília.  

Levantei as mãos, tentando me defender: — Mãe, olha...  
— Eu ainda não terminei de falar! — interrompeu ela, com firmeza.  

Suspirei, exasperada: — Nem precisa. Eu já sei o que a senhora vai dizer e, sinceramente, não quero ouvir. Cansei de todo mundo se meter no meu relacionamento com o Kássio. Cansei de todo mundo achar que pode resolver nossa vida por nós. Eu cansei de ter que argumentar com você sobre o meu futuro. Essa é a minha vida e eu quero decidir por mim mesma o que fazer dela.  

Ela esperou um momento antes de perguntar, com calma: — Terminou?  

Olhei para ela, ainda irritada: — Não. Tem muito mais, mas vou parar por aqui. A senhora me ensinou a respeitar os mais velhos.  

Sara respirou fundo antes de falar: — Ótimo. Agora é minha vez, e você vai ouvir. Não me interrompa. Eu não sou contra o seu relacionamento com o Kássio. Talvez tenha sido intransigente no início, mas minha opinião sobre ele mudou. O problema não é o Kássio. É essa ideia absurda de vocês se casarem. Não acho que estejam prontos para assumir esse tipo de compromisso.  

Eu olhei para ela, tentando ser paciente: — Mãe, ninguém nunca está pronto para compromissos desse tipo. Mas as pessoas assumem mesmo assim. Construir e manter uma família é difícil, mas na vida a gente tem que assumir riscos. Senão, acabamos nos arrependendo de não viver como queremos. Eu amo o Kássio e vou me casar com ele. Que vai ser difícil, vai. Mas a vida é assim.  

Sara abaixou o olhar, sua voz tremendo levemente: — Eu só não quero que você se magoe, filha.  

Segurei suas mãos e disse com sinceridade: — O Kássio nunca me magoaria, mãe. Ele me ama e eu o amo. Vamos casar e ser muito felizes.  

Ela finalmente sorriu, resignada: — Mesmo assim quero que saiba que vou estar aqui para o que você precisar.  

Abracei minha mãe como há muito tempo não fazia. Aquele gesto significava tanto para mim. Eu estava feliz, porque meu sonho de casar com Kássio estava se tornando realidade. Mas saber que minha mãe finalmente me apoiava tornou tudo ainda mais especial.  

Com a data do casamento marcada para dois meses, uma felicidade indescritível tomou conta de mim. Mas também uma melancolia. A ausência da minha irmã, Sami, pesava no meu coração. Eu queria que ela fosse minha madrinha, mas isso não seria possível.  

Ao mesmo tempo, um sentimento de inquietação me acompanhava. Eu tinha medo que o senhor Antônio fizesse algo para impedir nosso casamento. Kássio parecia imune a ele agora, mas eu não conseguia afastar essa angústia. Era como um pressentimento de que algo ruim estava por vir.  

Queria compartilhar isso com alguém, mas temia que fosse interpretado como simples nervosismo pré-casamento. Eu sabia que não era. Era algo mais profundo, um aviso que ecoava dentro de mim. E o mais aterrorizante era não saber como impedir.  

domingo, 13 de abril de 2014

Tempos de Colegial Capítulo 81

O Amor que desafia barreiras 


— A gente já não conversou o suficiente? — Kássio disse, cruzando os braços, claramente incomodado.  
— Filho, eu não vim aqui para brigar. Não quero mais discussões entre nós — respondeu Antônio, sua voz firme, mas carregada de um tom quase suplicante.  

Eu, percebendo o clima tenso, tentei intervir: — Ãhhh... desculpa, vou deixá-los a sós para que conversem à vontade. Com licença.  
Afastei-me, mas a contragosto. Cada passo que eu dava parecia mais pesado, como se um imã invisível me puxasse de volta. Não queria sair. Sabia que o que quer que o senhor Antônio dissesse a Kássio me afetaria diretamente. Ele ainda tinha influência sobre o meu noivo. E o medo me corroía: será que ele conseguiria convencê-lo a desistir de nós mais uma vez?  

— Você tem que voltar para casa, meu filho — a voz grave de Antônio preencheu o espaço.  
— Acho que o senhor já deixou muito claro, da última vez que conversamos, qual é sua posição: “Minha casa, minhas regras”. Não foi isso que você disse? — retrucou Kássio, com uma amargura evidente. — Bem, eu cansei de ser seu fantoche, pai. Não vou abrir mão da garota que amo, só porque você...  
Antônio o interrompeu, respirando fundo antes de continuar: — Kássio, eu ainda não acho que ela seja a pessoa certa para você. Mas... também não vou mais interferir no seu relacionamento. Sua mãe me fez enxergar que eu estava agindo errado. Só quero que você volte para casa, para junto da sua família.  

Kássio o encarou com determinação: — Não, eu não vou voltar. A Emília e eu vamos nos casar e construir nossa própria família.  
— Casar? — a voz de Antônio tremeu, em choque. — Você ainda nem se formou! Filho, você não pode...  
— Posso sim, pai. Não só posso, como vou. A Emi é a garota que eu amo, e mesmo depois de casados, não vamos desistir dos estudos. Nunca permitiria que ela fizesse isso, e sei que ela pensa o mesmo sobre mim. Vai ser difícil? Claro que vai. Mas a vida é assim.  

Antônio balançou a cabeça lentamente, como se carregasse o peso do mundo: — Não foi essa a vida que eu quis para você.  
— Eu sei — respondeu Kássio, o tom mais calmo, mas ainda firme. — Mas é a vida que eu escolhi. E eu não vou abrir mão dela.  

— Filho, você não vai dar conta... — disse Antônio, com a voz baixa, quase um sussurro.  
— Vou sim! — Kássio rebateu, sem hesitação. — Você me criou para ser um homem forte e trabalhador, não foi? Eu posso, eu quero, e eu vou conseguir. Só peço que não interfira mais na minha vida, pai. Porque eu não vou permitir.  

Antônio abaixou o olhar, derrotado: — Não vou. Mas quero que saiba que, quando você precisar de ajuda, não hesite em me procurar.  
— Não vou precisar de ajuda. Agora, se me der licença, preciso procurar um trabalho.  

Antônio levantou as sobrancelhas, intrigado: — Você não precisa procurar trabalho. Pode trabalhar na empresa da nossa família, se quiser.  
Kássio hesitou por um momento: — Eu... não sei.  
— Você pode pelo menos pensar? — insistiu o pai.  
— Talvez — respondeu Kássio, sua voz agora mais hesitante.  
Antônio se aproveitou da brecha: — Consulte sua namorada. Se ela realmente quer o melhor para você, sabe que isso é o melhor.  

Assim que Antônio foi embora, uma inquietação tomou conta de mim. O pai de Kássio havia conseguido plantar uma semente de dúvida no coração dele. Por um lado, achava bom que os dois se aproximassem. Mas, por outro, não suportava a ideia de Antônio ainda conseguir influenciar as decisões do meu noivo.  

— Amor, você vai aceitar trabalhar com seu pai? — perguntei, tentando esconder minha ansiedade.  
— Eu não sei. Conversei com minha mãe, e ela acha que eu deveria aceitar. Todo mundo me diz para trabalhar na empresa, porque um dia ela será minha e da minha irmã. Mas eu não sei se quero seguir os passos do meu pai.  

Segurei a mão dele e, com o coração apertado, disse: — Quer saber a minha opinião? Acho que você deveria aceitar essa oportunidade, pelo menos até encontrar um emprego que realmente ame. Não que eu concorde com o seu pai, mas... é o seu futuro. Quero que saiba que vou te apoiar, seja qual for sua decisão.  

— Se eu aceitar, estarei provando para ele que não posso vencer por mim mesmo — confessou Kássio, sua voz carregada de incerteza.  
— Ou, talvez, esteja apenas mostrando maturidade. Não pense nisso como uma escolha definitiva, mas como um degrau. Uma experiência temporária. Algo como esses empregos de fim de ano.  

Ele deu uma risadinha: — Você tem dezessete anos e já está planejando o futuro. Isso é engraçado.  
— Eu sou normal? — brinquei, tentando aliviar o clima. — Às vezes, me sinto uma adulta precoce!  

— Se você se arrependeu, a gente pode adiar o casamento — sugeriu ele, com um sorriso gentil.  
— Não! — respondi, categórica. — Não estou arrependida. Sei exatamente o que quero. Quero ficar com você.  
— Eu também quero ficar com você — disse ele, me abraçando.  

A escola nos esperava, mas minha mente continuava girando em torno do que Antônio havia dito. O que mais ele seria capaz de fazer?  

sábado, 11 de janeiro de 2014

Tempos de Colegial Capítulo 80

Promessas de amor e conflitos 


— Minha nossa... está falando sério? — perguntei, o coração batendo mais rápido.  
— É claro que estou falando sério! — respondeu Kássio, com firmeza.  
Olhei fundo nos olhos dele, desconfiada: — É claro que está. Você não brincaria com uma coisa desse tipo. Ou brincaria? Kássio, se você estiver brincando comigo, juro que vai se arrepender.  
Ele sorriu de canto, mantendo a serenidade: — Calma, zangada. Eu não estou brincando com você. Estou falando sério.  
— É mesmo? — perguntei, tentando conter um sorriso ansioso.  
Ele assentiu, e algo na expressão dele dissipou qualquer dúvida.  
— Então repete, por favor. Quero ouvir de novo — pedi, como se aquelas palavras fossem a garantia do meu próprio futuro.  
Kássio segurou minhas mãos e disse, com a voz carregada de emoção: — Emília, eu quero passar o resto dos meus dias com você. Quero poder dormir ao seu lado todas as noites e, quando acordar, saber que você ainda estará lá, me olhando, sorrindo. Quero sair para o trabalho e ter a certeza de que, ao voltar, você estará em casa, me esperando.  
— Ai, meu amor! Eu te amo... te amo... te amo! — exclamei, enquanto o abraçava com força. — E pode ter certeza de que sempre estarei ao seu lado. Sempre, sempre, sempre vou te esperar e te amar até o fim dos meus dias.  

Soltei uma risadinha em meio às lágrimas e brinquei: — Sei que você será meu super-homem para me salvar das baratas monstruosas que invadirem nosso lar!  
Ele riu, arqueando uma sobrancelha: — Baratas monstruosas?  
— Tá, eu sei que isso foi uma coisa estúpida de se dizer — admiti, envergonhada. — Mas o importante é que você será sempre meu herói. Te amo!  

Antes que pudesse dizer mais algo, vi Kássio ajoelhar-se à minha frente. Meu coração quase parou. Seus olhos brilhavam de um jeito que nunca havia visto antes, e a emoção transbordava em cada gesto.  

— Emília, meu amor, minha vida... aceita se casar comigo? — disse ele, com a voz firme, mas as mãos trêmulas enquanto segurava um anel reluzente.  
— Aceito! É claro que aceito! Não há nada neste mundo que eu queira mais do que me casar com você — respondi, emocionada, com as lágrimas escorrendo pelo rosto.  

Enquanto ele colocava o anel no meu dedo, suas mãos tremiam tanto que quase não acertava. Mas nada disso importava. Aquele momento ia muito além de qualquer imperfeição. Quando finalmente seus lábios tocaram os meus, senti como se o mundo inteiro tivesse parado. Suas mãos seguravam meu rosto com firmeza, enquanto seus braços envolviam minha cintura, me apertando contra o peito dele.  

Quando me afastei para olhar nos olhos dele, mal consegui conter a felicidade: — Eu sou a mulher mais feliz do mundo. Sabe por quê?  
Ele sorriu, ainda ofegante: — Por quê?  
— Porque eu tenho você. Porque você me faz feliz. Porque você me faz forte, me faz ser quem eu sou. Não consigo mais viver sem você, e nem quero viver sem você. Eu te amo.  
Kássio acariciou meu rosto e respondeu: — Eu também te amo. Você é minha vida, Emi. Sem você, eu simplesmente não existo.  

Comecei a rir, cheia de emoção: — Posso gritar? Quero gritar para o mundo inteiro saber o quanto estou feliz.  
— Ei, você ficou louca? — disse ele, rindo comigo.  
— Talvez um pouco! — respondi, brincando. — Mas eu quero que todos saibam que vou me casar com o melhor homem do mundo!  

Nos abraçamos novamente, rindo como crianças até que um pensamento cruzou minha mente: — Amor, seu pai sabe que vamos nos casar?  
Kássio hesitou por um momento: — Não, e ele não precisa saber. Ele não irá ao nosso casamento.  
Franzi a testa, confusa: — Mas ele é seu pai. A sua família precisa compartilhar esse momento conosco.  
— Não, Emi. Ele não precisa vir.  
Tentei entender sua relutância: — Por que não? Você tem vergonha de mim, é isso?  
Ele se apressou em negar: — Claro que não, Emília. Não é nada disso.  
— Então, o que é? Por que não me conta?  
Ele desviou o olhar, suspirando: — Você não entenderia...  

Segurei sua mão com delicadeza e insisti: — Deixa essa parte comigo. Só precisa me contar, e eu prometo que vou entender.  
Ele fechou os olhos por um instante e depois respondeu com um tom ressentido: — Meu pai não aprova nosso relacionamento. Ele nunca aceitaria.  
— Mas ele é seu pai, Kássio. Não espero que ele vá, mas precisamos convidá-lo. É o certo a se fazer.  
Ele suspirou e, finalmente, admitiu: — Você tem razão, amor. Me perdoa por ter reagido assim.  

Sorri, acariciando seu rosto: — É, você foi um idiota. Mas é o idiota que eu amo.  
Ele riu e respondeu com doçura: — Esse idiota aqui também te ama.  

Enquanto ainda comemorávamos, ouvimos uma batida na porta. Kássio levantou, visivelmente surpreso ao abrir. Ficou pálido ao ver quem estava ali.  
— Pai? O que você está fazendo aqui?  

Antônio cruzou os braços, sua voz séria e grave: — Eu vim conversar com você.  

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Tempos de Colegial Cap. 79

Entre Sonhos e Realidade 


Andreia perguntou, visivelmente desconfiada: — Um show?! Como assim, um show? Emi, você tem ideia do que é necessário para organizar algo assim?  
— Não faço ideia — respondi com um sorriso despreocupado —, mas isso não é problema. É só dar uma pesquisada básica e pronto!  
Márcia arregalou os olhos, espantada com a minha resposta: — Pesquisada básica? Emi, você está louca! Fazer um show exige muito dinheiro, muito planejamento. Isso não é brincadeira!  
Revirei os olhos, sem conter uma risada: — Ai, Márcia, calma! Era só uma brincadeira. Não acredito que você caiu nessa. Até parece que eu teria coragem de subir num palco e cantar para uma multidão!  
Márcia balançou a cabeça, ainda perplexa: — É que você falou com tanta convicção que eu realmente achei que estava falando sério.  
Suspirei, tentando desfazer o mal-entendido: — Nunca faria algo assim! Só de imaginar, acho que congelaria no palco ou nem conseguiria entrar!  
Andreia, com um tom sarcástico, acrescentou: — Márcia, se você levar tudo o que a Emi fala a sério, vai acabar ficando maluca!  
Márcia olhou para Andreia, ainda confusa: — Mas você confirmou o que ela disse!  
Andreia deu de ombros, rindo: — Claro! Eu queria ver até onde ela iria com essa história.  
Sorri, reconhecendo meu próprio hábito de fantasiar: — É verdade, minha cabeça é cheia dessas loucuras. Já quis ser bailarina, modelo, atriz, professora, médica... Esses devaneios aparecem na minha mente o tempo todo. Mas nunca é nada sério, bobinha!  
Márcia ergueu o olhar, séria: — Eu não sou “bobinha”, Emi. Só gosto de acreditar nas pessoas.  
Peguei sua mão, arrependida: — Me desculpa, amiga. Não quis te ofender. Mudando de assunto... eu vou pedir o meu Kássio em casamento.  
Márcia riu e estreitou os olhos, desconfiada: — Ah, vá! Agora eu não caio mais nessa.  
Respondi com firmeza: — Dessa vez é verdade. Se ele não tem coragem de me pedir, eu mesma vou fazer o pedido. Já estou cansada de esperar.  
Andreia arqueou a sobrancelha e soltou um riso: — Cansada? Vocês nem estão juntos há um ano!  
— Mas já é tempo suficiente para ele saber que eu sou a mulher da vida dele — rebati, cheia de convicção.  
Andreia se acomodou na cadeira, tentando conter o riso: — Emi, você está me fazendo rir!  
— Pois podem rir à vontade — respondi, séria —. Eu já tenho tudo planejado.  
Andreia não perdeu a oportunidade de questionar: — E se ele não aceitar?  
Olhei para ambas, decidida: — Por que ele não aceitaria? Mas, se isso acontecer, será a maior burrice da vida dele. Meninas, parem de pensar negativamente. Meu Kássio me ama, e tenho certeza de que é comigo que ele quer ficar.  
Andreia inclinou a cabeça, ainda cética: — Você tem tanta certeza assim?  
— Claro que tenho, Andy! — respondi, irritada com sua implicância.  
Márcia, com um tom mais calmo, tentou me alertar: — A Andreia está certa, Emi. Você pode estar criando expectativas que talvez não correspondam à realidade.  
Levantei com impetuosidade, encerrando o assunto: — Vocês vão ver quando o meu Kássio aceitar. Aí veremos quem estava certa nesta história.  

Saí dali furiosa, magoada pelas dúvidas que minhas amigas haviam plantado em mim. No fundo, porém, uma pequena parte da minha mente começou a questionar. E se elas estivessem certas? Por que o Kássio nunca falou sobre casamento? Será que ele aceitaria meu pedido?  

Passei a noite inteira acordada, atormentada por esses pensamentos. Embora eu fosse jovem demais para pensar em casamento, tinha certeza de que ele era o homem da minha vida. Mas algo dentro de mim murmurava que talvez ele não sentisse o mesmo. Resolvi enfrentar a dúvida e fui falar com ele.  

Falei, tentando manter a calma: — Kássio, precisamos conversar. É algo muito importante, para mim e para você.  
Ele me olhou com preocupação e segurou minha mão: — Claro, linda. O que houve?  
Minha voz saiu hesitante: — Você me ama?  
— Claro que amo! — respondeu ele sem pensar —. Por que está me perguntando isso?  
Respirei fundo e desabafei: — Porque você diz que me ama, mas nunca falou em casamento. Isso me deixa... confusa.  
Kássio ficou em silêncio, e aqueles segundos pareciam durar uma eternidade. Meu coração apertou, e eu comecei a pensar que talvez tudo estivesse prestes a desmoronar.  

Finalmente, ele disse, com um tom firme: — Emi, quem disse que eu não quero me casar com você?  
Olhei para ele, surpresa: — Então por que nunca falou nada? Estamos juntos há tanto tempo, e você nunca mencionou nada sobre isso.  
Ele sorriu e respondeu com leveza: — Porque eu queria que fosse uma surpresa. Mas você é tão apressada que quase estragou tudo!  
Envergonhada, abaixei os olhos: — Me desculpa, eu não queria te pressionar. É só que... eu fiquei insegura.  
Ele segurou meu rosto delicadamente: — Ei, calma. Eu te amo, Emi. E sim, quero me casar com você. Mas eu preciso de um pouco mais de tempo, para fazer tudo do jeito certo. Só te peço paciência, tá?  
Suspirei, aliviada: — Tudo bem, mas... o que eu digo para as minhas amigas?  
Ele sorriu e, com a mesma tranquilidade, disse: — Você não precisa dizer nada a elas. Esse é um assunto só nosso. Mas tem uma coisa que você precisa saber...  
Olhei para ele, curiosa: — O quê?  
Ele segurou minha mão com firmeza e sorriu: — Eu quero passar todos os dias da minha vida ao seu lado.  

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 78

Notas de uma voz determinada 


Kássio me segurou pelos ombros, com o olhar sério e carregado de preocupação. – Não faça nada, Emi!  

Cruzei os braços, determinada. – Não posso ficar de braços cruzados!  

– Pode, sim, e vai! – Ele respondeu, firme. – Amor, você tem que aprender a deixar os outros resolverem os próprios problemas. Não pode se meter em tudo o que não te diz respeito.  

Ergui o queixo, desafiadora. – Acontece que as pessoas não sabem resolver seus problemas, e aí eu tenho que ajudar.  

Ele suspirou, exausto. – Não, você não ajuda. Você acaba atrapalhando e, quando a coisa fica feia, foge.  

As palavras dele me atingiram como uma facada. – Não é verdade!  

Kássio suspirou, tentando manter a calma. – Me desculpe, mas é verdade, sim.  

Olhei para ele, magoada. – Você está contra mim ou o quê?  

Ele balançou a cabeça, frustrado. – Não, Emi. O fato é que você está agindo feito criança.  

Senti o sangue ferver. – Criança?! É isso que você pensa de mim?  

– Não, o que eu disse é que você está agindo assim. Não distorça minhas palavras. – Ele tentou explicar.  

Mas a mágoa era mais forte. – Eu interpretei muito bem! E não se preocupe, porque a criança aqui não vai mais te incomodar com os problemas dela. Tchau!  

– Emília, volta aqui! – Ele gritou, mas eu já estava saindo.  

Eu precisava ir embora antes de admitir para mim mesma que ele estava certo. Kássio finalmente falou francamente comigo, e o pior é que ele tinha razão. Talvez fosse por isso que ele ainda não queria casar comigo. Eu tinha dezessete anos, mas, às vezes, me sentia com apenas dez. Eu tinha medo de crescer, de amadurecer. Eu achava que ser adulta significava ser chata, perder a espontaneidade, a liberdade.  

No caminho de casa, encontrei Márcia. Ela estava radiante, como se estivesse flutuando.  

– Oi, Márcia! Como foi o encontro com o Beto? – Perguntei, tentando disfarçar minha tristeza.  

Ela sorriu, os olhos brilhando. – Foi maravilhoso! Você acredita que ele foi ao palco cantar e me dedicou uma música? Mas... por que você está com essa cara?  

Suspirei, derrotada. – Briguei com o Kássio. E o pior é que a culpa foi minha.  

Márcia franziu o cenho, preocupada. – O que aconteceu?  

– Ele me disse que eu estava agindo feito criança. E como uma criança, eu briguei com ele e saí. – Admiti, sentindo o nó na garganta apertar.  

Ela sorriu suavemente, tentando me consolar. – Às vezes você é um pouco infantil, mas outras vezes é a mais madura entre nós.  

– Então por que o Kássio não enxerga isso? – Perguntei, frustrada.  

Márcia riu levemente. – Porque, quando você está conosco, ele está trabalhando.  

Meus olhos se iluminaram com uma ideia repentina. – É isso!  

– Isso o quê? – Ela perguntou, confusa.  

– Vou arrumar um emprego e mostrar pra ele que sou madura de verdade. – Declarei, cheia de determinação.  

Márcia tentou não rir, mas acabou soltando um comentário sarcástico. – Ah vá! Você não sabe fazer nada. Quem te daria um emprego?  

– Valeu pelo voto de confiança! – Respondi, cruzando os braços.  

Ela suspirou. – Desculpa, amiga, mas você tem que admitir isso.  

– Eu não sei fazer nada, mas posso aprender. Só preciso encontrar um emprego que seja legal, pague bem e não tome muito do meu tempo. – Argumentei, com teimosia.  

Márcia balançou a cabeça, rindo. – Aí fica difícil!  

– Não tem nada de difícil, além do seu pensamento negativo. – Rebati, determinada.  

Ela suspirou, exasperada. – Amiga, encare os fatos! Você não tem um curso profissionalizante, não tem experiência e ainda quer um trabalho meio impossível.  

Ergui o queixo. – Eu não preciso de experiência. Só preciso de uma oportunidade.  

Márcia levantou as mãos, rendida. – Ok, não falo mais nada sobre isso.  

Sorri, satisfeita. – Sabe o que eu estava pensando?  

– Espero que não seja nada mirabolante! – Ela respondeu, desconfiada.  

– Não, é uma coisinha bem simples.  

– Estou até com medo dessa coisinha. – Ela brincou, rindo.  

Olhei para ela com um sorriso desafiador. – É simples: eu vou ser cantora!  

Márcia arregalou os olhos. – Cantora?! Você pirou? Emi, você não sabe cantar!  

Revirei os olhos. – Estraga-prazeres! Quem te disse que eu não sei cantar? Aliás, você nunca me ouviu cantar. Mas eu não ligo e sabe por quê?  

– Não sei se quero saber. – Ela respondeu, ainda mais desconfiada.  

– Vou te dizer mesmo assim. Quando eu ficar famosa e fizer shows internacionais, aí vou mostrar pra você se sei cantar ou não. Me aguarde!  

Ela balançou a cabeça, rindo. – Emi, eu não quis duvidar de você. Mas o ramo da música é complicado.  

Dei de ombros. – Matemática é complicada! Música é expressão, algo que toca a alma. Eu quero tocar o coração das pessoas, passar minha mensagem. Só quero mostrar ao mundo o meu talento.  

Márcia olhou para frente e apontou. – Olha quem tá vindo aí. Vamos perguntar o que ela acha disso.  

Levantei a cabeça e sorri. – Andy! Por onde você andou? Faz tempo que a gente não se vê.  

Andreia sorriu de canto. – Estava resolvendo umas paradas aí.  

– Certo. Se quiser contar, tudo bem. A Márcia tem uma pergunta pra te fazer. – Falei, sorrindo.  

Andreia arqueou a sobrancelha. – Pergunta? Pois faça, Márcia!  

Márcia riu. – Só quero saber se é verdade que a Emi canta bem.  

Andreia soltou uma gargalhada. – Você nunca ouviu a Emi cantar?! Não sabe o que está perdendo. Emília, mostra pra ela!  

E foi aí que eu cantei, colocando minha alma em cada palavra da música. Márcia ficou em silêncio por um momento, antes de admitir: – É, você canta bem mesmo!  

Márcia: — Uau, você canta muito bem! Que música é essa? É tão linda que parece mágica.  
Eu: — É "What Are You Waiting For?", da Miranda Cosgrove.  
Andreia: — Então, minha amiga está querendo ser cantora?  
Eu: — Desde que eu era pequena, eu brincava com a Sami. Ela era minha maior fã! Eu subia na cama, improvisava um palco, e cantava pra ela. E sabe? Ela ficava sentadinha no chão, com aqueles olhinhos brilhando, me ouvindo. Era como se o mundo parasse e só existíssemos nós duas, entre música e sonhos.  
Andreia: — Emi, você precisa entender que nem todo mundo nasceu para ser cantor ou cantora, sabe? Tipo... você.  
Eu: — Eu sei, Andreia. Mas é justamente por isso que vou provar algo a mim mesma.  
Márcia: — Provar? Como assim?  
Andreia: — Que tipo de prova você está falando?  
Eu: — Eu vou fazer um show. Um verdadeiro show!

sábado, 20 de julho de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 77

Desafios de confiança e decisões 


Marcos me olhou com uma expressão calma, mas firme, tentando me tranquilizar. – Acho que não. Ele deve estar querendo assustar vocês. Além disso, você já tem dezessete anos. A idade mínima para o menor optar por viver com um dos pais é de doze anos. A justiça vai analisar o caso, e o juiz vai te ouvir na própria audiência, onde se discute a guarda. Não fique preocupada, a opinião do menor é de extrema relevância.  

Cruzei os braços, sentindo a indignação crescer dentro de mim. – Não é patético que meu pai queira pedir a minha guarda, se eu já tenho dezessete anos?  

Marcos inclinou a cabeça, pensativo. – E como sua mãe está reagindo a isso? Ela já sabe que você sabe do caso?  

Suspirei, frustrada. – Se sabe, ela não comenta. Ela não quer me deixar preocupada. Passa lá em casa hoje à noite. Quem sabe ela não se anima?  

Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso. – Você está me convidando para ir à sua casa?! Está tudo bem com você?  

Revirei os olhos, irritada. – Nossa, que engraçado! Tô falando sério! Eu não disse que não ia mais me importar de você namorar minha mãe?  

Marcos deu um sorriso de canto. – Disse, e eu acredito. Mas hoje eu não posso.  

– Por quê? – Perguntei, desconfiada.  

– Tenho um compromisso de trabalho e não posso faltar. – Ele respondeu, desviando o olhar.  

– Que tipo de compromisso? – Insisti, cruzando os braços.  

– Do tipo: não posso falar pra você. – Ele respondeu, com um tom evasivo.  

– É confidencial? – Perguntei, estreitando os olhos.  

– Não, é pessoal. E se der tudo certo, a minha vida vai mudar. – Ele disse, com um sorriso enigmático.  

Meu coração disparou. – Você está traindo a minha mãe? Se você estiver traindo a minha mãe...  

Marcos suspirou, exasperado. – Emi, vai para casa e pare de imaginar coisas.  

Bufei, irritada. – Então tchau.  

– Tchau. – Ele respondeu, com um aceno breve.  

Fui para casa, mas as palavras de Marcos não saíam da minha cabeça. Algo não fazia sentido. E se ele estivesse traindo a minha mãe? A ideia me corroía por dentro. Então, uma ideia – não tão mirabolante, mas a melhor que eu tinha – surgiu na minha mente.  

– Você vai seguir o Marcos? Ficou louca? – Kássio perguntou, incrédulo, quando contei meu plano.  

– Não, eu não fiquei louca. E sim, eu vou seguir o Marcos. Eu tenho que fazer isso. Não posso permitir que ele enfeite a cabeça da minha mãe! – Respondi, determinada.  

Kássio suspirou, balançando a cabeça. – Mais uma vez você está tirando conclusões precipitadas.  

– Não estou, meu amor. Quando o convidei para ir à minha casa, ele disse que não podia. Disse que tinha um compromisso de trabalho, depois disse que era pessoal. E ainda disse que, se tudo der certo, a vida dele vai mudar. Você não acha isso estranho? – Argumentei, tentando convencê-lo.  

Ele hesitou por um momento. – Estranho é, mas não significa que ele esteja traindo a sua mãe.  

– Kássio, meu amor, você é muito ingênuo. Como você não percebe que é verdade o que eu estou dizendo? – Perguntei, frustrada.  

Ele segurou minhas mãos, tentando me acalmar. – Emi, meu amor, você está imaginando coisas!  

– Por que todo mundo diz que eu imagino coisas? – Retruquei, irritada.  

Kássio sorriu, com paciência infinita. – O cara caiu em contradição e você já saiu imaginando coisas. E se ele estivesse falando de alguma coisa que envolva a sua mãe, mas que não seja colocar chifres na cabeça dela?  

Parei por um momento, considerando suas palavras. – Pode ser! Você sempre consegue clarear as minhas ideias. Como você faz isso?  

Ele riu, acariciando meu rosto. – É fácil. Eu conheço você melhor do que ninguém.  

Sorri, sentindo meu coração se aquecer. – E eu te amo por isso.  

– Também te amo. Não conseguiria viver longe de você. – Ele respondeu, com sinceridade.  

– E você não vai ficar longe de mim, porque o meu pai não pode me tirar daqui se eu não quiser. O Marcos me disse isso. Não foi exatamente assim, mas ele me disse. Não se preocupe, porque se ele me levar, eu fujo e ele nunca mais vai me ver. Só você. – Declarei, com determinação.  

Kássio segurou meu rosto, olhando nos meus olhos. – Não, Emi. Não quero que você fuja. Lembra da última vez que você fugiu?  

Suspirei, lembrando do caos que havia causado. – Tem razão. Então o que eu faço?  

domingo, 5 de maio de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 76

Decisões e Promessas 


A notícia era tão boa que meu coração parecia que ia explodir de felicidade. Minha mãe tinha autorizado: meu Kássio podia morar com a gente! Mal consegui conter a euforia e corri para contar a novidade antes que ela mudasse de ideia.  

– Kássio, meu amor! – Gritei, quase sem fôlego. – A mamãe deixou você morar com a gente!  

Ele parou por um momento, o olhar sério me pegando de surpresa. – Eu não posso aceitar, minha querida.  

Fiquei desconcertada. – Por que não? Assim você para de trabalhar feito um burro de carga. Ah, sem ofensas, claro.  

Ele suspirou, segurando minhas mãos com carinho. – Emi, eu não posso depender da sua mãe. Seria vergonhoso para mim. Quero mostrar para o meu pai que posso me virar sozinho, que não preciso de ninguém para me sustentar.  

Toquei o rosto dele, sentindo meu peito apertar de amor e preocupação. – Você não precisa depender dela, Kássio. Só quero que você trabalhe menos. Sei como é importante para você provar algo ao seu pai, mas não quero te ver se desgastando tanto. Eu te amo e só quero o melhor para você. Quero ficar com você, nem que seja por um minuto a mais.  

Ele sorriu suavemente, mas manteve a firmeza. – Podemos ficar juntos no domingo à noite.  

Balancei a cabeça, meio frustrada. – Mas domingo à noite demora muito para chegar. Além do mais, você vai estar exausto. Se morasse lá em casa, poderia descansar juntinho de mim.  

Kássio riu, balançando a cabeça. – Eu vou pensar no caso.  

– Promete? – Perguntei, quase implorando.  

– Prometo. – Ele respondeu, acariciando meu cabelo.  

– Não demora, tá? Pensa com carinho... ou melhor, pensa em mim. – Sorri, tentando quebrar a tensão.  

Ele riu novamente, com aquele sorriso que sempre derretia meu coração. – Não se preocupe. Estou sempre pensando em você.  

– E é por isso que eu te amo tanto! – Declarei, jogando os braços ao redor dele. – Vamos dar uma voltinha? Só uma, bem pequenininha.  

– Vamos. Aonde você quer ir?  

– Onde você quiser me levar.  

– Já sei. Vamos ao cinema e... – Ele começou.  

– E depois vamos dançar! – Completei, animada.  

– Pode ser. – Ele concordou, rindo da minha empolgação.  

Fomos ao cinema, e lá, quase como uma ironia do destino, encontramos minha irmã Euzi e Miguel. Meu coração deu uma leve pontada de ciúme ao vê-los juntos, mas forcei um sorriso. Sei que a vida segue e que Euzi gostaria que Miguel continuasse a viver plenamente.  

– Olha, Kássio! A Euzi com o Miguel. Vamos falar com eles? – Perguntei, tentando soar casual.  

Ele balançou a cabeça, decidido. – Vamos, mas não vamos sentar perto deles. Quero ficar só com você esta noite.  

Ri, achando graça. – Vai ser impossível. Tem um monte de gente no cinema.  

– Mas são pessoas que não nos conhecem. Não quero dividir você com nenhum conhecido, neste momento só nosso. – Ele disse, me olhando com uma intensidade que fez meu coração disparar.  

– Então vamos aproveitar cada segundo, antes que você resolva voltar ao trabalho. – Disse, provocando.  

Ele segurou minha mão e sorriu. – Esta noite não tenho trabalho. Esta noite sou todo seu.  

Eu queria congelar aquele momento para sempre. Mas algo me incomodava, algo que eu precisava contar. Respirando fundo, tomei coragem. – Amore, eu sei que este não é o momento, mas tenho uma coisa para falar.  

Ele me olhou, curioso. – O que foi?  

– Meu pai ligou. A mamãe não estava em casa, fui eu que atendi. Ele quer que eu vá morar com ele. – Disse, deixando escapar as palavras rapidamente.  

Kássio piscou, surpreso. – Meu amor, isso pode ser bom para vocês dois.  

Balancei a cabeça, quase em pânico. – Você não entende. Meu pai está morando na Alemanha.  

– Opa! E por que isso, agora? – Ele perguntou, confuso.  

– Não faço ideia. Ele quer que eu conheça o filho dele ou sei lá... Ele é tão insensível. Sabe que a mamãe precisa de mim. Por que resolveu bancar o pai justo agora? Não posso ir embora. Minha vida está toda aqui. Não quero deixar minhas amigas, minha mãe. Não quero ficar longe de você.  

Kássio apertou minha mão, sua voz calma me acalmando um pouco. – Ei, calma! Isso ainda não está decidido. Sua mãe tem que autorizar para você sair do país. Ela é responsável por você. Não se preocupe, vai ficar tudo bem.  

– E se não ficar? – Perguntei, com o coração apertado.  

Ele sorriu suavemente. – Vai ficar. Sabe do que mais?  

– O quê? – Perguntei, esperançosa.  

– Vou aceitar morar com vocês, por um tempo. Mas você tem que me prometer que não vai se preocupar sem motivo.  

Meu rosto se iluminou. – Prometo, prometo, prometo!  

– Vamos. O filme já vai começar. – Ele disse, levantando-se.  

Assistimos ao filme, mas, sinceramente, ele poderia ter sido sobre qualquer coisa. Meu coração estava tão cheio de emoção que nada mais importava. Estava feliz por Kássio finalmente estar considerando morar comigo e minha mãe. Mas ao mesmo tempo, o medo da possibilidade de ir morar fora pairava como uma nuvem.  

Mais tarde, enquanto ainda tentava organizar meus pensamentos, procurei uma pessoa que eu jamais imaginei pedir ajuda: o Marcos. Aquele encontro mudou tudo...  

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 75

Um Amor que enfrenta barreiras 



Beto me olhou com os olhos cheios de dúvida, mas também com um leve brilho de esperança. – E se ela não aceitar? – Ele perguntou, hesitante.  

Revirei os olhos e, sem filtrar minhas palavras, respondi: – Duh! Claro que ela vai aceitar. Eu já tinha convidado, né? Você é bem lentinho, hein! Ah, desculpa! Desculpa, desculpa, desculpa! Eu estou tentando parar de insultar as pessoas. Me perdoa.  

Beto sorriu de lado, balançando a cabeça. – Tudo bem, já estou acostumado.  

Respirei aliviada e voltei ao foco. – Então você vai buscá-la na casa dela. Anota aí o endereço, e por favor, não se atrase! Ela odeia esperar.  

– Não se preocupe, também detesto esperar. – Beto respondeu com firmeza, finalmente demonstrando um pouco mais de segurança.  

Olhei para ele com um sorriso satisfeito. – Ótimo! Agora já vou indo, tá quase na hora de começar a aula. Não esquece de ligar para ela, hein? Tchauzinho!  

– Tchau! – Ele respondeu, com um aceno breve.  

Literalmente corri pelos corredores da escola. Meu coração pulsava de empolgação ao pensar na novidade que estava prestes a contar. Em minutos, alcancei Márcia e as meninas.  

– Meninas, eu falei com o Beto! – Anunciei, quase sem fôlego.  

Márcia ficou imóvel, seus olhos brilhando de expectativa. – E então?  

Um sorriso triunfante surgiu em meu rosto. – Não precisei falar muito! Só disse que o Kássio e eu te convidamos para sair conosco, com a Dulce e o Eduardo, e que você iria sozinha... E aí ele me disse que quer te pedir em namoro! Não vai recusar, hein!  

As bochechas de Márcia ficaram instantaneamente coradas. – Não se preocupe, dessa vez eu não vou fazer bobagem. Mas espera aí... Quem convidou foi a Andreia. O Kássio sabe disso?  

– Ainda não, mas ele me ama e, se eu pedir, tenho certeza que ele vai concordar. – Respondi com confiança.  

Quase como se tivesse sido convocado pelo destino, Kássio apareceu ao nosso lado. – Ele quem?  

Virei-me para ele, sorrindo. – Então, meu amor, as meninas nos convidaram para irmos ao novo karaokê que abriu perto da casa da Andy. Nós vamos, né? Por favor, diz que sim! Por favor! Por favor! Por mim!  

Ele riu baixo, mas acabou concordando. – Ok, mas a gente não vai demorar.  

– Why not? – Perguntei, desapontada.  

– Tenho que trabalhar amanhã cedo e preciso estar descansado. – Ele respondeu, calmamente.  

Cruzei os braços, frustrada. – Mas depois de amanhã é domingo! Quem trabalha no domingo?  

– Eu trabalho, amor. – Ele disse, com um olhar paciente.  

– Você não pode faltar? – Questionei, tentando convencê-lo.  

– Não, eu não posso. Por que não deixamos o karaokê para o domingo à noite? – Ele sugeriu.  

Suspirei, resignada. – Tudo bem. Vou dizer às meninas que nós não vamos.  

Kássio colocou a mão no meu ombro, tentando me tranquilizar. – Amor, eu não disse que não podemos ir. Eu só disse que não podemos demorar.  

– Se é para sair cedo, prefiro não ir. – Retruquei, teimosa.  

Ele suspirou, exausto. – Se você quiser, pode ir sem mim. Não vejo problema algum.  

Arregalei os olhos. – Muito bonito! Minhas amigas acompanhadas e eu sozinha! Se eu quisesse sair desacompanhada, continuaria solteira. Você é meu namorado. Quero sair com você.  

– Antes você gostava de ficar com suas amigas. O que mudou? – Ele perguntou, genuinamente intrigado.  

Engoli em seco antes de responder. – E você ainda pergunta?! Uma delas tentou tirar você de mim. Acha isso pouco?  

Kássio baixou o olhar, claramente desconfortável. – Sinto muito, mas não posso ir desta vez.  

Algo parecia errado. Toquei seu braço, tentando me conectar com ele. – Está tudo bem? Você nunca se recusou a sair comigo.  

Ele respirou fundo, hesitante. – Está tudo bem, querida. Só que eu preciso trabalhar.  

– Amor, você não precisa trabalhar. Seu pai é rico, esqueceu? – Comentei, achando que seria uma solução óbvia.  

Seus olhos escureceram com uma emoção que eu não conseguia decifrar. – Eu não esqueci, e ele faz questão de me lembrar isso.  

– Amore, eu te conheço. Tem alguma coisa te incomodando. Pode me contar. Eu juro que vou entender. – Implorei, desesperada por respostas.  

Kássio finalmente olhou para mim, sua expressão vulnerável. – Meu pai não quer que eu namore você.  

Meu coração doeu ao ouvir aquilo, mas tentei manter a calma. – Isso eu já sei, amore.  

– Eu saí de casa e preciso desse emprego para me sustentar. – Ele confessou, com um peso enorme em sua voz.  

Fiquei sem palavras por um momento. – Você saiu de casa por mim?  

Ele hesitou. – Em tese.  

O arrependimento me atingiu como uma onda. – E eu sendo ingrata com você. Por que não me disse antes? Eu poderia ter falado com a minha mãe para você ficar lá em casa.  

– Até parece que a sua mãe ia deixar a gente morar sob o mesmo teto! – Ele respondeu, rindo de forma amarga.  

– Ia sim! Ela mudou, sabia? Se você quiser, posso falar com ela. – Ofereci, cheia de determinação.  

– Não quero que você se indisponha com a sua mãe por minha causa. – Ele respondeu, balançando a cabeça.  

– Já fiz isso. Lembra? – Retruquei, encarando-o.  

– Agora é diferente. – Ele murmurou, quase inaudível.  

A aula terminou e seguimos juntos para casa. Mas a questão não saiu da minha cabeça. Mesmo sabendo que ele hesitaria, eu estava disposta a enfrentar minha mãe novamente por ele. Para minha surpresa, ela concordou!  

domingo, 24 de março de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 74

Amizades, Amores e Recomeços 


Dulce surgiu com um sorriso radiante, seus olhos brilhando de alegria. – A Dani estava tão linda, não estava, meninas?  

– Muito linda. – Respondi, sentindo um calor no peito ao lembrar do brilho da amiga no altar.  

– Garotas, venham comigo! Quero que conheçam o Eduardo. Vocês vão adorar conhecê-lo; ele é muito legal. – Dulce anunciou, empolgada, enquanto nos puxava pelo braço.  

Andreia, como sempre, não resistiu a um comentário provocativo. – Deve ser mesmo, para ter aguentado a Tamara por tanto tempo!  

Revirei os olhos, tentando manter a compostura. – Se comporta, Andreia.  

– Eu sempre me comporto, "mamãe"! – Ela respondeu, em tom brincalhão, mas cheia de malícia.  

Márcia balançou a cabeça, com uma risada curta. – Não adianta fazer gracinha, a gente já te conhece.  

Dulce sorriu, compreensiva. – Tudo bem, meninas, eu já conheço o jeito da Andreia.  

– Conhece como? – Márcia perguntou, curiosa.  

– De tanto ouvir falar. – Dulce respondeu, com uma leveza que parecia carregar segredos.  

Andreia franziu o cenho, intrigada. – As pessoas falam de mim pelas costas?  

– E como falam! – Dulce exclamou, tentando suavizar a tensão com humor.  

Andreia ergueu uma sobrancelha. – Bem ou mal?  

Dulce hesitou por um momento, antes de responder. – Depende...  

– Não, não depende de nada! Me conta agora o que as pessoas andam falando de mim! – Andreia exigiu, sua impaciência começando a transparecer.  

– Eu não quero te magoar, Andreia. – Dulce disse, tentando fugir do assunto.  

– Não importa, me conta! – Andreia insistiu, com determinação que parecia inabalável.  

Márcia deu um passo à frente, decidida. – Conta, Dulce. Ela não vai te deixar em paz enquanto você não contar.  

Suspirando, Dulce finalmente cedeu. – Eu ouvi a Tamara falando sobre você agir assim.  

– Assim como? – Andreia questionou, agora mais curiosa do que nunca.  

– Sobre você não gostar de casamentos, não querer ter filhos. Ela disse que... – Dulce hesitou.  

– Disse o quê? – Andreia pressionou, com uma tensão crescente em sua voz.  

– Que, desse jeito, você nunca vai arrumar um namorado e que vai ficar sozinha. – Dulce revelou, tentando medir suas palavras.  

A expressão de Andreia mudou instantaneamente; seus olhos brilharam com uma fúria crescente. – Aquela venenosa! Quem ela pensa que é?  

Márcia tentou acalmá-la. – Não liga para isso, Andreia.  

– Eu ligo sim! – Andreia disparou, sem hesitar. – Vou fazer aquela peçonhenta morder a língua!  

– Se você agredi-la vai perder a razão. Você sabe disso. – Dulce alertou, sua voz cheia de preocupação.  

– Não me importo, só quero fazê-la engolir o que disse! – Andreia declarou com firmeza.  

Dulce abaixou a cabeça, arrependida. – Eu não devia ter te contado nada.  

– Andy, fica na tua! É o casamento da Dani, não vai estragar, por favor. – Pedi, tentando controlar a situação.  

Mas Andreia não podia ser contida. – A minha vontade é amassar a cara dela com um soco.  

– Não vou deixar você fazer isso. – Retruquei, tentando manter minha voz firme.  

– Eu que não vou permitir que aquela vaca fique falando mal de mim! – Andreia respondeu, sua raiva quase palpável.  

– Andy, por favor, não faça nada de que você possa se arrepender depois. – Insisti, quase implorando.  

– Eu tenho certeza de que não vou me arrepender de nada. – Andreia respondeu, com os olhos brilhando de determinação.  

Dulce tentou uma última vez. – Não faz nada, Andreia, por favor.  

Andreia apenas sorriu de forma irônica antes de se afastar. – Já volto, meninas.  

Dulce olhou para mim, com arrependimento estampado no rosto. – Eu não devia ter comentado nada.  

– Tudo bem, Dulce. Ela ia saber de qualquer jeito. – Respondi, tentando aliviar sua culpa.  

E, apesar da fúria de Andreia, a tensão acabou sendo amenizada. O pai de Tamara havia se mudado para outra cidade e levado a filha junto. Essa foi por pouco! No entanto, o impacto emocional do comentário de Tamara em Andreia foi evidente.  

Quando ela voltou, algo parecia diferente. Sua expressão era mais tranquila, quase reflexiva.  

– Meninas, o veneno da Tamara serviu para me abrir os olhos. – Andreia declarou, com uma maturidade inesperada.  

– Do que você está falando? – Dulce perguntou, intrigada.  

– Decidi que não vou mais abominar casamentos e que vou dar uma chance. Mas não significa que vou passar o dia com a barriga no fogão nem me matar de lavar roupa. Se eu me casar, é para ter um companheiro e não um patrão. E tenho dito! – Andreia respondeu, com um sorriso confiante.  

Não pude evitar rir e responder com ternura. – Andy, você é uma figura! Uma figura que eu amo, minha amiga.  

Andreia retribuiu com um sorriso caloroso. – Também te amo, mas não quero ficar aqui falando. Vamos conhecer o novo karaokê que abriu perto da minha casa?  

– Vamos! Eu adoro cantar. – Márcia exclamou, animada.  

– Você devia era cantar o Beto. – Andreia provocou, piscando para Márcia.  

– Andreia! – Márcia respondeu, tentando disfarçar o rubor que subia por seu rosto.  


domingo, 3 de março de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 73

Laços que transcendem fronteiras 

O salão estava repleto de alegria quando Danile se posicionou para jogar o buquê. Todas nós, cada uma à sua maneira, contínhamos a expectativa do momento. Quando o buquê voou pelo ar, parecia que o tempo havia desacelerado, cada movimento capturado como em um filme. Eu estava bem na frente, com as mãos prontas para agarrar aquele símbolo de amor e felicidade, mas, no final, o destino pregou uma peça inesperada: o buquê caiu nas mãos de quem menos esperávamos. Ele caiu, justamente, nas mãos de Andreia.  

Sim, Andreia, a pessoa mais avessa a casamentos que eu conhecia. O choque foi imediato, mas logo ela sorriu e, com um gesto generoso, me entregou o buquê. Apesar da gentileza, não pude evitar sentir um pequeno temor. Será que a aversão dela a casamentos poderia trazer algum azar para o meu? Mas não, afastei esses pensamentos.  

A verdade é que eu não vou me casar ainda, e não é porque eu não queira. O motivo é o Kássio. Ele é tão racional e sempre quer ter certeza de tudo antes de tomar decisões. Por mim, já estaríamos casados, agora mesmo, vivendo nossos sonhos juntos. Às vezes me pergunto de onde ele saiu, esse homem tão especial. Ele é maduro, generoso, e sempre coloca o bem-estar dos outros em primeiro lugar. Definitivamente, eu tirei a sorte grande ao encontrá-lo. Talvez seja por isso que Euzi tenha tentado se aproximar dele. Mas ele é único, e quero estar ao lado dele por toda a minha existência.  

– Obrigada por me dar o buquê, Andy. – Disse, sorrindo com gratidão.  

Andreia deu de ombros, brincando. – Não foi nada, amiga. Ficar comigo seria um desperdício, afinal, eu jamais usaria.  

Olhei para ela com curiosidade. – Por que você não gosta de casamentos, Andy?  

Ela hesitou, como se estivesse revelando um segredo. – Não é que eu não goste. Eu finjo não gostar. A verdade é que eu tenho medo.  

– Medo de quê? – Perguntei, surpresa.  

Andreia abaixou o olhar, os olhos carregados de lembranças. – Medo de sofrer, de não encontrar a pessoa certa. Tenho medo de que aconteça comigo o mesmo que aconteceu com a minha mãe.  

– Como assim? A sua mãe é uma mulher tão forte, decidida, alegre. Eu não entendo.  

– Minha mãe já sofreu muito. Ela se casou aos quatorze anos de idade, com um homem mais velho. Ele a abandonou e fugiu com a própria sobrinha. Depois ela conheceu meu pai, e foi isso. O resto você já sabe.  

– Sei o quê? Eu não sei do que você está falando.  

– Sabe sim! Eu te contei que meu pai despachou a gente para essa cidade.  

– Se você contou essa história para alguém, com certeza, não foi para mim.  

Andreia suspirou, cansada das memórias. – Deve ter sido para a Euzi. A gente era muito amiga, antes de ela passar para o outro lado da força.  

Coloquei a mão no ombro dela, tentando confortá-la. – Não se preocupa, Andy. O que aconteceu com sua mãe não vai acontecer com você.  

– Não? – Ela perguntou, sua voz levemente trêmula.  

– Claro que não! Não é porque sua mãe só encontrou cafajestes que você vai encontrar cafajestes. E se não der certo com uma pessoa, é porque não era a pessoa certa para você. Não precisa ter medo, você vai ser muito feliz.  

Andreia sorriu, ainda que com os olhos marejados. – Obrigada, Emi. Você sempre diz o que a gente precisa ouvir.  

– Não foi nada. Eu adoro ajudar minhas melhores amigas. Agora vamos, a Dani já vai sair para a lua de mel.  

Danile se aproximou, visivelmente emocionada. – Meninas, vou sentir muita saudade de vocês.  

Eu segurei sua mão, tentando esconder a dor da despedida. – A gente também vai ficar morrendo de saudade.  

Márcia enxugou uma lágrima discreta. – Você ainda nem saiu e eu já estou com saudade.  

Andreia fez um último pedido. – Promete que vai ligar todos os dias?  

Danile sorriu, tentando manter o clima leve. – Prometo. Nem vai dar tempo de sentirem a minha falta.  

– Pode deixar que a gente cuida da tua mãe, faz companhia para ela, enquanto você estiver fora. – Acrescentei, tentando aliviar sua preocupação.  

Danile olhou para nós, com gratidão estampada no rosto. – Obrigada, meninas. Vocês são as melhores amigas do mundo.  

Voltei meu olhar para Marcelo, sério, mas gentil. – Cuida bem da nossa amiga, Marcelo.  

Ele sorriu, confiante. – Pode deixar.  

– Quero que você a faça muito feliz. – Declarei, com firmeza.  

Marcelo segurou a mão de Danile e respondeu com ternura. – Não se preocupe, Emi. Ao meu lado, ela será a menina mais feliz de todas.  

Andreia riu, mas com um tom de aviso. – É bom mesmo, senão você vai se ver com a gente!  

Dulce, que havia se juntado ao grupo, disse suavemente: – Eu não conheço vocês muito bem, mas desejo toda a felicidade do mundo a vocês.  

Danile e Marcelo agradeceram, sorrindo.  

Márcia interrompeu. – Vão logo, senão vão perder o voo!  

– Tchau! – Disse Danile, acenando.  

– Tchau! – Marcelo ecoou, antes de conduzir sua esposa.  

Enquanto os dois partiam para Cuba, onde Marcelo estudaria cinema, o amor entre eles brilhava com intensidade. Todos sabíamos que, apesar da distância e dos desafios, nossa amiga estava vivendo o início de um sonho. E, sinceramente, esperávamos que nada nem ninguém pudesse separá-los.  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Tempos de Colegial Capítulo 72

Laços de amizade e novos começos 



A semana passou como um borrão, e antes que percebêssemos, o grande dia do casamento de Danile chegou. Ela irradiava felicidade, enquanto nós, suas amigas, tentávamos esconder a melancolia de saber que logo ela estaria longe, em Cuba.  

– Nem acredito que você vai morar em Cuba. – Suspirei, olhando para Danile com um misto de admiração e saudade.  

Ela sorriu, nostálgica. – Nem eu. E pensar que achei que tinha perdido o Marcelo para sempre.  

– Até pensou que ia morrer. – Comentei, lembrando das noites cheias de lágrimas e angústia.  

Danile soltou uma risada, tentando aliviar o peso da memória. – Como nós, mulheres, somos exageradas!  

– Exageradas é pouco! – Acrescentei, rindo junto com ela.  

Márcia, otimista como sempre, disse: – No fim tudo acaba bem.  

Andreia, com sua habitual provocação, replicou: – Que fim? Agora que está começando!  

Marcelo se aproximou, interrompendo nossa conversa com um sorriso orgulhoso. – Meninas, com licença, mas tenho que dançar com minha esposa.  

Dei um passo para trás, abrindo espaço. – Claro!  

Danile segurou a mão de Marcelo e olhou para nós, radiante. – Esposa... Adoro essa palavra!  

– E louça suja, você também adora? – Andreia soltou, com um sorriso travesso.  

– Andreia! – Márcia repreendeu, franzindo o cenho.  

– Que foi?! Eu estou brincando, gente! – Andreia tentou se justificar, levantando as mãos em rendição.  

Danile balançou a cabeça com firmeza. – Você não vai estragar o meu dia!  

Andreia se apressou em explicar. – Foi só uma brincadeira!  

– Eu sei, Andy. – Danile disse, tentando suavizar a tensão.  

Mas eu não consegui segurar o desabafo. – Mesmo assim, foi uma brincadeira de mau gosto.  

– Desculpa, Dani. Vai dançar com seu marido. Prometo que não faço mais. – Andreia disse, genuinamente arrependida.  

– Tudo bem, amiga. Até depois. – Danile sorriu antes de ser conduzida por Marcelo à pista de dança.  

Virei para as meninas, cheia de empolgação. – Se vocês não se importam, vou procurar meu Kássio para dançar com ele.  

Márcia sorriu com malícia. – Hum!  

Revirei os olhos. – Hum o quê? Vai procurar o Beto para dançar também.  

– Olha que eu vou! – Márcia respondeu, desafiadora.  

– Já foi, já voltou? – Perguntei, provocando.  

– Calma! – Ela disse, tentando manter a postura.  

Cruzei os braços, insistindo. – Vai! Senão eu vou falar com ele. Já está na hora de você resolver esse assunto.  

Márcia baixou os olhos, relutante. – Eu vou resolver, só estou esperando o momento certo.  

– Não, você está esperando ele se apaixonar por outra garota. Porque é isso que vai acontecer se você ficar aí "esperando o momento certo". – Declarei com firmeza.  

– Tá bem, eu vou! – Ela cedeu, finalmente decidida.  

Andreia, curiosa, interrompeu. – Vai aonde?  

Márcia respondeu, com um suspiro. – Tirar o Beto para dançar. Por enquanto!  

Andreia fez uma careta. – Acho que alguém já fez isso.  

Márcia franziu a testa, alarmada. – Quem?  

– Tamara. – Andreia disse, com a voz cheia de implicância.  

– Tamara? O que está dizendo? A Tamara tem namorado. – Márcia rebateu, sem acreditar.  

– Você não sabe? – Andreia perguntou, arqueando as sobrancelhas.  

– Não sei o quê? – Márcia retrucou, ansiosa.  

– Eles terminaram. Tem alguma coisa a ver com o pai dela. – Andreia revelou.  

Márcia balançou a cabeça, incrédula. – O Beto não podia ter feito isso comigo.  

– Feito o quê? Você nunca falou nada com ele sobre isso. Você é lerda. – Andreia disparou, com sua típica sinceridade brutal.  

Nesse momento, Dulce apareceu, iluminando o ambiente com sua presença. – Olá, meninas!  

Márcia sorriu, tentando disfarçar sua inquietação. – Quanto tempo não nos vemos!  

– É, desde a festa que a Emi deu. – Dulce respondeu, nostálgica.  

– Faz tempo que você voltou de viagem? – Perguntou Márcia.  

– Tem um tempinho. Tenho uma novidade. – Dulce disse, sorrindo.  

– Adoro novidade! – Andreia exclamou, cheia de entusiasmo.  

– Olá, Andreia. Como vai? – Dulce perguntou educadamente.  

– Bem. Mas deixemos as formalidades de lado e vamos à novidade. – Andreia insistiu, impaciente.  

Dulce sorriu, prolongando o suspense. – Estou namorando!  

– Sério? Que legal! – Márcia exclamou, genuinamente feliz.  

– Aprende com ela, Márcia! – Andreia disse, provocando.  

Dulce arqueou uma sobrancelha, confusa. – Aprender o quê?  

– Nada, é bobagem da Andy. – Márcia respondeu, tentando encerrar o assunto.  

Andreia, no entanto, continuou. – Bobagem? Acontece que a Márcia tá a fim do Beto, mas não tem coragem de falar pra ele. E ao que parece a Tamara tá dando em cima dele.  

– Acho que você se deu mal nessa, amiga. – Dulce comentou, com uma pitada de humor.  

Márcia franziu o cenho. – Por quê?  

– Fiquei sabendo que ela quer arranjar outro para causar ciúmes no ex dela. – Dulce revelou.  

– Eu detesto essa gente que perde tempo com essa bobagem de causar ciúmes. Isso é coisa de novela! – Andreia disparou.  

– E é de novela água com açúcar! – Márcia concordou.  

A conversa continuou envolta em sentimentos e revelações, enquanto o dia seguia marcado pela alegria do casamento de Danile e pelos conflitos das amizades que continuavam a evoluir.  

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