Decisões e Promessas
A notícia era tão boa que meu coração parecia que ia explodir de felicidade. Minha mãe tinha autorizado: meu Kássio podia morar com a gente! Mal consegui conter a euforia e corri para contar a novidade antes que ela mudasse de ideia.
– Kássio, meu amor! – Gritei, quase sem fôlego. – A mamãe deixou você morar com a gente!
Ele parou por um momento, o olhar sério me pegando de surpresa. – Eu não posso aceitar, minha querida.
Fiquei desconcertada. – Por que não? Assim você para de trabalhar feito um burro de carga. Ah, sem ofensas, claro.
Ele suspirou, segurando minhas mãos com carinho. – Emi, eu não posso depender da sua mãe. Seria vergonhoso para mim. Quero mostrar para o meu pai que posso me virar sozinho, que não preciso de ninguém para me sustentar.
Toquei o rosto dele, sentindo meu peito apertar de amor e preocupação. – Você não precisa depender dela, Kássio. Só quero que você trabalhe menos. Sei como é importante para você provar algo ao seu pai, mas não quero te ver se desgastando tanto. Eu te amo e só quero o melhor para você. Quero ficar com você, nem que seja por um minuto a mais.
Ele sorriu suavemente, mas manteve a firmeza. – Podemos ficar juntos no domingo à noite.
Balancei a cabeça, meio frustrada. – Mas domingo à noite demora muito para chegar. Além do mais, você vai estar exausto. Se morasse lá em casa, poderia descansar juntinho de mim.
Kássio riu, balançando a cabeça. – Eu vou pensar no caso.
– Promete? – Perguntei, quase implorando.
– Prometo. – Ele respondeu, acariciando meu cabelo.
– Não demora, tá? Pensa com carinho... ou melhor, pensa em mim. – Sorri, tentando quebrar a tensão.
Ele riu novamente, com aquele sorriso que sempre derretia meu coração. – Não se preocupe. Estou sempre pensando em você.
– E é por isso que eu te amo tanto! – Declarei, jogando os braços ao redor dele. – Vamos dar uma voltinha? Só uma, bem pequenininha.
– Vamos. Aonde você quer ir?
– Onde você quiser me levar.
– Já sei. Vamos ao cinema e... – Ele começou.
– E depois vamos dançar! – Completei, animada.
– Pode ser. – Ele concordou, rindo da minha empolgação.
Fomos ao cinema, e lá, quase como uma ironia do destino, encontramos minha irmã Euzi e Miguel. Meu coração deu uma leve pontada de ciúme ao vê-los juntos, mas forcei um sorriso. Sei que a vida segue e que Euzi gostaria que Miguel continuasse a viver plenamente.
– Olha, Kássio! A Euzi com o Miguel. Vamos falar com eles? – Perguntei, tentando soar casual.
Ele balançou a cabeça, decidido. – Vamos, mas não vamos sentar perto deles. Quero ficar só com você esta noite.
Ri, achando graça. – Vai ser impossível. Tem um monte de gente no cinema.
– Mas são pessoas que não nos conhecem. Não quero dividir você com nenhum conhecido, neste momento só nosso. – Ele disse, me olhando com uma intensidade que fez meu coração disparar.
– Então vamos aproveitar cada segundo, antes que você resolva voltar ao trabalho. – Disse, provocando.
Ele segurou minha mão e sorriu. – Esta noite não tenho trabalho. Esta noite sou todo seu.
Eu queria congelar aquele momento para sempre. Mas algo me incomodava, algo que eu precisava contar. Respirando fundo, tomei coragem. – Amore, eu sei que este não é o momento, mas tenho uma coisa para falar.
Ele me olhou, curioso. – O que foi?
– Meu pai ligou. A mamãe não estava em casa, fui eu que atendi. Ele quer que eu vá morar com ele. – Disse, deixando escapar as palavras rapidamente.
Kássio piscou, surpreso. – Meu amor, isso pode ser bom para vocês dois.
Balancei a cabeça, quase em pânico. – Você não entende. Meu pai está morando na Alemanha.
– Opa! E por que isso, agora? – Ele perguntou, confuso.
– Não faço ideia. Ele quer que eu conheça o filho dele ou sei lá... Ele é tão insensível. Sabe que a mamãe precisa de mim. Por que resolveu bancar o pai justo agora? Não posso ir embora. Minha vida está toda aqui. Não quero deixar minhas amigas, minha mãe. Não quero ficar longe de você.
Kássio apertou minha mão, sua voz calma me acalmando um pouco. – Ei, calma! Isso ainda não está decidido. Sua mãe tem que autorizar para você sair do país. Ela é responsável por você. Não se preocupe, vai ficar tudo bem.
– E se não ficar? – Perguntei, com o coração apertado.
Ele sorriu suavemente. – Vai ficar. Sabe do que mais?
– O quê? – Perguntei, esperançosa.
– Vou aceitar morar com vocês, por um tempo. Mas você tem que me prometer que não vai se preocupar sem motivo.
Meu rosto se iluminou. – Prometo, prometo, prometo!
– Vamos. O filme já vai começar. – Ele disse, levantando-se.
Assistimos ao filme, mas, sinceramente, ele poderia ter sido sobre qualquer coisa. Meu coração estava tão cheio de emoção que nada mais importava. Estava feliz por Kássio finalmente estar considerando morar comigo e minha mãe. Mas ao mesmo tempo, o medo da possibilidade de ir morar fora pairava como uma nuvem.
Mais tarde, enquanto ainda tentava organizar meus pensamentos, procurei uma pessoa que eu jamais imaginei pedir ajuda: o Marcos. Aquele encontro mudou tudo...