O preço da perda
Sami não resistiu. Morreu a caminho do hospital, e com ela, pareceu que uma parte de mim também se despedaçou. Mamãe, ao receber a notícia, teve um ataque de nervos. Os gritos e soluços que vinham dela ecoavam como facas cortando o ar. Precisou ser medicada, mas nada parecia capaz de acalmá-la. Eu estava em choque, incapaz de aceitar a realidade esmagadora que minha irmã havia morrido.
Pouco tempo depois, Kássio apareceu no hospital. Ele sabia da tragédia e veio até mim, mas sua presença, por mais que fosse de conforto, parecia incapaz de preencher o vazio que havia se instalado.
— Ela morreu, Kássio. A minha irmãzinha morreu! — minhas palavras saíram entrecortadas, quase como um grito de dor.
— Calma, Emi, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. Vou cuidar de você. — Ele tentou me abraçar, mas eu o empurrei, o peito cheio de raiva e dor.
— Eu não quero que você cuide de mim! Eu quero a minha irmã de volta! — as lágrimas escorriam incontrolavelmente. — Kássio, o que vai ser da minha vida sem ela?
— Amor, você tem que se acalmar. Sua mãe precisa de você agora.
Balancei a cabeça, rejeitando suas palavras. Não havia consolo possível.
— Não posso viver sem a Sami. Quem vai cuidar de mim agora? Ela sempre cuidou de mim, mesmo sendo a caçula.
Minha mente estava tomada por lembranças, flashes de momentos felizes, o som da risada dela, os olhos brilhando quando compartilhávamos segredos. Mamãe então recobrou os sentidos, mas não parecia capaz de entender o que havia acontecido.
— Emi... O que aconteceu? — perguntou, a voz carregada de um desespero frágil.
— O que aconteceu?! — explodi, a dor se transformando em fúria. — Aconteceu que a minha irmã morreu, e foi por sua culpa!
— Emi, para com isso! — Kássio interveio, tentando me conter. — Sua mãe não tem culpa do que aconteceu!
— Claro que tem! — gritei de volta, apontando para ela. — Se ela não fosse tão intransigente, nada disso teria acontecido! Eu nunca teria fugido de casa, a gente nunca teria se separado, e a Sami estaria viva agora!
Mamãe começou a chorar, seu rosto se contorcendo de dor.
— Emi, por favor, não faz isso comigo. Eu só estava tentando fazer o que achava melhor pra vocês.
— Pois você não tentou o suficiente! Você falhou! A Sami está morta por sua culpa! EU ODEIO VOCÊ! VOCÊ ME OUVIU? EU TE ODEIO!
— Emi... — ela implorou, as lágrimas caindo sem controle. — Não faz assim. Eu estou sofrendo tanto quanto você.
Kássio me segurou pelos ombros, olhando fundo em meus olhos.
— Senhora, eu vou levar a Emi pra casa. Vou tentar acalmá-la.
Mamãe assentiu, quase sem forças.
— Muito obrigada, rapaz...
Kássio me levou embora, e eu mal sentia os passos. Quando entramos na casa, fui direto ao quarto da Sami. Ao abrir a porta, o cheiro dela ainda estava ali, tão vívido quanto as memórias que agora me inundavam.
— Esse é o quarto dela. Ela sempre gostou de tudo bem arrumado, enquanto eu... Eu sempre fui tão bagunceira. — minha voz saiu embargada, enquanto os olhos percorriam o espaço que parecia tão vazio sem ela.
— Tenho certeza de que ela está no céu agora, olhando por você. — Kássio disse, sua voz tranquila tentando me alcançar.
— Você acha? — perguntei, a esperança frágil em minha voz.
— Claro que sim. A Sami era uma menina incrível. Com certeza, ela está lá, com os anjinhos, cuidando de você.
— Obrigada, Kássio. Obrigada por estar comigo nesse momento tão difícil. — meu agradecimento veio entre soluços.
— Não precisa me agradecer, Emi. Por você, eu faria qualquer coisa.
— Não começa, por favor. Não agora.
De repente, a porta se abriu bruscamente. Noel surgiu, o semblante carregado de raiva, e a tensão voltou a encher o ar.
— O que você está fazendo aqui? — ele disparou, direto para Kássio.