Entre Planos e Coragem: O Resgate
— Chama os rapazes, vamos precisar de ajuda. — Danile disse com firmeza, mas havia um leve tremor em sua voz.
— Tudo bem, se cuida. — Euzi respondeu, tentando esconder o medo que sentia pela amiga.
— Eu te ligo, dando instruções. — Danile prometeu.
— Toma muito cuidado. — Euzi insistiu, com os olhos marejados.
Danile tentou sorrir, mesmo que timidamente, para tranquilizá-la. — Não se preocupe comigo. Enquanto eu fizer o que ele quer, vou ficar bem.
Olá! Eu sou a Euzi, e agora vou contar a minha parte da história. Enquanto Dani caminhava para o seu destino perigoso, fiquei com a responsabilidade de encontrar ajuda. Primeiramente, procurei Kássio, mas como de costume, ele dificultou bastante.
— Kássio, preciso falar com você. — disse, tentando soar calma.
Ele franziu o rosto imediatamente. — O que você quer, Euzi? É melhor você ir embora. Não quero que a Emi me veja contigo. Sei que vocês voltaram a ser amigas, mas ela pode não gostar de nos ver juntos.
— É sobre a Emi que eu vim falar. É algo muito sério.
Kássio cruzou os braços, já visivelmente impaciente. — Euzi, eu não quero saber das suas fofocas. Por favor, vá embora. Não quero ser grosseiro com você.
Suspirei, sentindo a paciência escapar por entre os dedos. — Kássio, por favor, cala a boca e me escuta!
Ele recuou um pouco, surpreso com a minha reação. — Tudo bem, o que você quer?
— O Diego está com a Emi.
Kássio arqueou uma sobrancelha, desconfiado. — Não adianta inventar mentiras. Eu não vou cair nas suas armações. Vai embora, por favor!
— Você entendeu errado…
— Euzi, vai embora antes que eu perca minha paciência! — Ele interrompeu, sua voz já irritada.
Senti meu corpo tremer de raiva e frustração. — Meu Deus, como você pode ser tão cabeça dura?! Estou tentando te dizer que a Emi...
— Agora chega, Euzi! Vai embora! — Ele gritou, mas antes que pudesse continuar, explodi.
— A Emi foi sequestrada!!
O rosto dele se transformou imediatamente. — O quê?! Se isso for mais uma das suas invenções, você vai se arrepender.
Dei um passo à frente, firme. — Eu adoraria que fosse, mas não é. Diego, o ex da Dani, pegou a Emi como refém para forçar a Dani a encontrá-lo.
Ele ficou estático por alguns segundos, processando o que ouviu. — E cadê a Danile?
— Ela foi ao encontro dele.
— E você sabe onde eles estão?
— Não. Mas a Dani disse que me ligaria caso ele estivesse onde ela imaginava.
Kássio passou a mão pelos cabelos, claramente tentando pensar rápido. — Ela não deu nenhuma pista?
— Não. Só me pediu para chamar você e os rapazes. Não consegui encontrar o Miguel nem o Marcelo.
— Tudo bem, quanto menos gente, melhor. — Ele respirou fundo, tentando organizar as ideias. — Como vamos salvá-las?
— Ainda não sei. Vou ligar para a Dani agora.
Peguei meu celular com pressa e disquei o número. — Tá chamando... Ela atendeu! Dani? Já estou com o Kássio, mas não encontrei os outros.
A voz de Danile parecia aliviada, mas ainda tensa. — Me escuta. O Diego tá na cabana dos pais dele. Tirei algumas fotos e vou mandar pra você. Tem uma entrada pelos fundos. Dá pra vocês entrarem por lá e tirarem a Emi.
— E você?
— Vou ficar bem. Vou mandar o endereço agora. Tchau!
Quando ela desligou, olhei para Kássio. — Recebi o endereço. Vamos!
— O que mais ela disse?
— Que vai nos enviar as fotos do lugar e que podemos entrar pelos fundos para resgatar a Emi.
Kássio balançou a cabeça. — Fácil assim?
— A Dani faz tudo parecer fácil. — respondi, enquanto digitava uma mensagem para Andreia e Márcia. — Elas vão nos encontrar lá.
O olhar de Kássio endureceu. — Se aquele louco fizer qualquer coisa com a Emi, ele vai pagar caro.
— Não pense no pior. A Emi vai ficar bem. Ela tem muita sorte de ter você.
Kássio deu um meio sorriso, mas logo desviou o olhar. — Euzi, essa não é a hora de ser inconveniente.
— Não estou sendo inconveniente. Só quero que saiba que a Emi me perdoou. Somos amigas de novo. Não vou deixar que nada nos separe!
Ele suspirou profundamente. — Eu separar vocês? Foi você que...
— Escuta. Eu gosto de outra pessoa agora. Finalmente consegui te esquecer.
Kássio me olhou surpreso, mas assentiu. — Fico feliz por você.
Chegamos à cabana. — É aquela casa verde. — apontei, enquanto avistávamos Danile ao longe, acenando para nós.
Ela nos recebeu aflita. — Ele se irritou com a demora e levou a Emi para o sótão. Vai ser mais difícil tirá-la de lá. Desculpa, gente.
— Tudo bem, Dani. Você não tem culpa. — Kássio respondeu, tentando tranquilizá-la.
Pouco depois, Andreia e Márcia chegaram com os rapazes, e começamos a traçar o plano.
— Já que vai ser difícil entrar despercebido — começou Kássio —, Danile, você entra e tenta acalmá-lo. Não mencione a Emi. Ele pode desconfiar.
— Tudo bem. Me desejem sorte. — Danile respondeu, respirando fundo.
— Boa sorte, amiga. — disse Márcia, com um sorriso de apoio.
— Qualquer coisa, chama a gente! — completei, apertando levemente a mão dela.
Danile deu um último olhar ao grupo e caminhou em direção à cabana.